Técnicas de demonstração
Resultados matemáticos geralmente são expressos como teoremas da forma "Se , então " ou , onde e podem representar sentenças compostas.
Quando nos propomos a fazer uma demonstração, devemos procurar expressar de forma concisa, usando uma linguagem natural, com sentenças completas, bem como identificar cada objeto usando sua definição e possíveis propriedades. Assim, tentaremos deduzir de , utilizando uma sequência lógica de passos que começam em (que chamamos de hipótese) e terminam em (que chamamos de tese).
Geralmente organizaremos um teorema para ser demonstrado da seguinte forma . Se podemos provar que onde é tratado como um elemento arbitrário do domínio, teremos então provado .
Raciocínio indutivo e dedutivo
Supondo que você é um pesquisador tentando formular e demonstrar um teorema, e examinou um conjunto de casos nos quais, se é verdadeira, então também é verdadeira. Por exemplo, você pode ter examinado vários inteiros divisíveis por e constatado que estes inteiros também são divisíveis por . Com base nessa experiência, você pode conjecturar: se , então (se um número é divisível por , ele também é divisível por ).
Quantos mais casos você encontrar em que resulta de , mais confiante você estará em sua conjectura. Isto ilustra o raciocínio indutivo, construindo uma conclusão baseada na experiência.
Não importa o quanto a conjectura pareça confiável, é necessário aplicar o raciocínio dedutivo para verificar se sua conjectura é de fato verdadeira. Para tanto, pode-se elaborar a prova de que (construindo um teorema) ou então encontrar um exemplo que contrarie sua conjectura (contra-exemplo).
Da conjectura à demonstração formal
Retomando o exemplo acima: a conjectura "se um número é divisível por , então é divisível por " nasceu do raciocínio indutivo (observação de vários casos). O raciocínio dedutivo transforma essa conjectura em teorema, mostrando-a a partir da hipótese, com uma sequência lógica de passos — exatamente a estrutura que veremos em detalhe em Demonstração direta.
"Se P, então Q" — hipótese e tese em ação
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Hipótese (P)
Seja um número inteiro divisível por , ou seja, , com .
Note a diferença: o raciocínio indutivo nos deu a confiança de que a conjectura era razoável; o raciocínio dedutivo, acima, nos deu a certeza, porque parte de uma hipótese geral (qualquer divisível por ) e não de casos particulares.
Exercícios
Exercício proposto
Mostre que "todo número inteiro menor que é maior que ".
Resposta
temos que, por exemplo, , no entanto . Logo a conjectura é falsa (contra-exemplo).
Exercício proposto
Mostre que se um número inteiro entre e é divisível por , então também é divisível por .
Resposta
, e , com . Assim pode ser representado por . Logo , com . Assim é divisível por .
Exercício proposto
Você observa que é divisível por , é divisível por e é divisível por , e conjectura: "todo quadrado perfeito é divisível por ". Essa conjectura é obtida por raciocínio indutivo ou dedutivo? Ela é verdadeira?
Resposta
Foi obtida por raciocínio indutivo: generalizamos a partir de casos observados. E é de fato verdadeira — dedutivamente, para qualquer , , logo é múltiplo de (tomando na definição de divisibilidade).
Exercício proposto
Um estudante observa que , , e são todos quadrados perfeitos e conjectura: "todo número da forma , com , é primo" (testando : , primo; : , primo; : , primo). Essa conjectura resiste ao raciocínio dedutivo?
Resposta
Não. Basta um contra-exemplo para refutar a conjectura: para ,
que não é primo. Logo a conjectura é falsa, apesar de ter "resistido" aos primeiros casos observados — isso ilustra por que o raciocínio indutivo, por si só, nunca prova um teorema.