Seja f:A→B uma função bijetora. Assim, a relação inversa de f é uma
função de B em A, chamada de função inversa de f e denotada por f−1.
Também é bijetora, isto é:
(x,y)∈f⇔(y,x)∈f−1f(x)=y⇔f−1(y)=x
A função inversa é composta pelos pares ordenados obtidos pela inversão da ordem
dos elementos dos pares ordenados da função original. Ou seja, a função
f:A→B associa cada elemento x∈A a um elemento correspondente
y∈B; já a função f−1 associa cada elemento y∈B ao elemento
correspondente x∈A.
Por que f precisa ser bijetora
para ter inversa? Ao inverter os pares ordenados de f, o resultado só é uma
função de B em A se valerem F1 e F2 para essa relação invertida:
fsobrejetora garante F1 da inversa: todo y∈B tinha alguma
pré-imagem em f, então todo y vira um "domínio válido" para f−1.
finjetora garante F2 da inversa: se dois x diferentes mandassem
para o mesmo y, a relação invertida associaria esse y a dois valores
distintos, violando unicidade.
Como verificar se uma função é sobrejetora
O procedimento é sempre:
Escolha um elemento qualquer y do contradomínio B.
Resolva a equação y=f(x), isolando x em função de y.
Verifique se o x encontrado pertence ao domínio A.
Se isso ocorrer para todoy∈B, a função é sobrejetora.
Se existir algumy∈B para o qual o x encontrado não pertença a
A, a função não é sobrejetora.
Exemplo 1
Considere:
f:R→R,f(x)=2x−5
Começamos com:
y=f(x)
Substituindo:
y=2x−5y+5=2xx=2y+5
Como, para qualquer y∈R, o x encontrado também pertence a
R, a função é sobrejetora.
Exemplo 2
Considere:
f:R→R,f(x)=x2
Começamos com:
y=f(x)
Substituindo:
y=x2x=±y
Por exemplo, tome y=−4∈R (o contradomínio). Não existe
x∈R tal que x2=−4. Portanto, a função não é
sobrejetora.
Resumo
∀y∈B,∃x∈A/y=f(x)
Se isso valer para todo y∈B, a função é sobrejetora.
∃y∈B∣∄x∈A/y=f(x)
Se existir algum caso assim, a função não é sobrejetora.
Como verificar se uma função é injetora
O procedimento é sempre:
f(x)=f(y)
Depois, substitua a fórmula da função e resolva.
Se obrigatoriamente chegar em:
x=y
a função é injetora.
Se for possível encontrar x=y com:
f(x)=f(y)
a função não é injetora.
Exemplo 1
Considere:
f(x)=5x−2
Começamos com:
f(x)=f(y)
Substituindo:
5x−2=5y−25x=5yx=y
Como necessariamente x=y, a função é injetora.
Exemplo 2
Considere:
f(x)=x2+1
Começamos:
f(x)=f(y)
Substituindo:
x2+1=y2+1x2=y2
Isso pode acontecer quando:
x=y
ou quando:
x=−y
Por exemplo:
x=3,y=−3
Então:
f(3)=10ef(−3)=10
Temos duas entradas diferentes produzindo a mesma saída. Portanto, a função
não é injetora.
Resumo
f(x)=f(y)⇒x=y
Se essa igualdade valer sempre, ou seja, sem exceção, a função é injetora.
x=yef(x)=f(y)
Se existir algum caso assim, a função não é injetora.
Uma consequência direta da definição é que aplicar f e f−1 em
sequência (em qualquer ordem) devolve o valor original:
f−1(f(x))=x,∀x∈Af(f−1(y))=y,∀y∈B
Como calcular f⁻¹(x) na prática
Escreva y=f(x).
Isole x em função de y.
Troque os nomes das variáveis: o resultado, escrito como função de x, é
f−1(x).
É exatamente o procedimento usado em cada exercício abaixo.
Exemplo
Seja f:R→R dada por f(x)=2x+3. Vamos calcular
f−1(x).
1. Escreva y=f(x):
y=2x+3
2. Isole x em função de y:
y−3=2x⇒x=2y−3
3. Troque os nomes das variáveis (o x isolado acima passa a ser escrito
como função de x):
f−1(x)=2x−3
Para conferir, basta aplicar a propriedade
f−1(f(x))=x: f(x)=2x+3, logo
f−1(f(x))=2(2x+3)−3=22x=x. ■
Exercícios
Exercício
Seja a função bijetora f(x)=2x+1. Então encontre o valor de f−1(7).
f−1(x)=2x−1. De y=2x+1: 7=2x+1; 7−1=2x;
x=27−1=3. Logo f−1(7)=3.
Exercício
Seja f:R→R dada por f(x)=3x+4. Responda:
a)f−1(x) existe? b) Caso exista, calcule f−1(x).
c) Caso exista, calcule f−1(2). d) Caso exista, calcule f−1(0).
a)f é injetora (3x+4=3y+4⇒x=y) e sobrejetora
(x=3y−4, e f(3y−4)=y), logo bijetora.
Então f−1 existe.
b)f−1(x)=3x−4.
c)f−1(2)=32−4=−32.
d)f−1(0)=30−4=−34.
Exercício
Seja f:R→R definida por f(x)=2x−4. Determine
f−1(x).
y=2x−4; y+4=2x; x=2y+4. Logo
f−1(x)=2x+4.
Exercício
Seja f:R−{1}→R definida por
f(x)=x−11. Determine f−1(x).
y=x−11; y(x−1)=1; xy−y=1; xy=1+y;
x=y1+y. Logo f−1(x)=xx+1.