Uma função f:A→B é par se, e somente se, ∀x∈A,f(−x)=f(x).
Geometricamente, o gráfico de uma função par é simétrico em relação ao eixo
y: o lado esquerdo é o espelho do lado direito.
Como consequência, uma função par com mais de um valor no domínio (além de
x=0) nunca é injetora: por
definição f(−x)=f(x) para x=−x, ou seja, dois elementos distintos
do domínio sempre compartilham a mesma imagem.
f(−x)=f(x)
Isso significa que, ao trocar x por −x, o resultado permanece igual.
Como verificar
Calcule f(−x), substituindo x por −x na fórmula.
Simplifique a expressão obtida.
Compare com f(x): se forem iguais, a função é par.
Exemplo
Considere:
f(x)=x2+4
Calculando f(−x):
f(−x)=(−x)2+4
Como (−x)2=x2:
f(−x)=x2+4
Logo f(−x)=f(x). A função é par.
Exercício
Mostre que a função f:R→R definida por f(x)=x2−2
é par.
(∀x)∈R. Temos f(−x)=(−x)2−2=x2−2. Logo
f(−x)=f(x). Portanto f é uma função par. ■
Exercício
Mostre que a função f:R→R definida por
f(x)=2x4+x2−1 é par.
(∀x)∈R. Temos
f(−x)=2(−x)4+(−x)2−1=2x4+x2−1. Logo f(−x)=f(x).
Portanto f é uma função par.
■
Função ímpar
Uma função f:A→B é ímpar se, e somente se,
∀x∈A,f(−x)=−f(x). Geometricamente, o gráfico de uma função
ímpar é simétrico em relação à origem: girar o gráfico 180° em torno de
(0,0) devolve o mesmo gráfico.
f(−x)=−f(x)
Ao trocar x por −x, o resultado deve ser o oposto de f(x).
Como verificar
Calcule f(−x), substituindo x por −x na fórmula.
Simplifique a expressão obtida.
Compare com −f(x): se forem iguais, a função é ímpar.
Exemplo
Considere:
f(x)=x3
Calculando f(−x):
f(−x)=(−x)3
Como (−x)3=−x3:
f(−x)=−x3=−f(x)
Logo f(−x)=−f(x). A função é ímpar.
Exercício
Mostre que a função f:R→R definida por
f(x)=x5+x é ímpar.
(∀x)∈R. Temos
f(−x)=(−x)5+(−x)=−x5−x=−(x5+x)=−f(x). Logo f é uma
função ímpar. ■
Exercício
Mostre que a função f:R→R definida por
f(x)=x3x2−3 é ímpar.
(∀x)∈R. Temos
f(−x)=(−x)3(−x)2−3=−x3x2−3=−x3x2−3=−f(x)
Logo f é uma função ímpar. ■
Exercício
Mostre que a função f:R→R definida por
f(x)=1+x3não é ímpar.
(∀x)∈R. Temos f(−x)=1+(−x)3=1−x3. Como
−f(x)=−1−x3, então f(−x)=−f(x). Logo fnão é uma função
ímpar. ■
Par, ímpar, ou nenhuma das duas
Uma função pode ser par, ímpar, ou nenhuma das duas: não existe uma
terceira opção obrigatória. Por exemplo,
f(x)=x3x−2x=−x21 satisfaz f(−x)=f(x),
logo é par, mesmo com uma fórmula que mistura sinais.
Potências com −x
Calcular f(−x) sempre passa por elevar −x a alguma potência. O sinal do
resultado depende apenas da paridade do expoente:
(−x)par=xpar(−x)ıˊmpar=−xıˊmpar
Expoente par
O sinal negativo desaparece:
(−x)2=x2(−x)4=x4
Expoente ímpar
O sinal negativo permanece:
(−x)3=−x3(−x)5=−x5
Exemplo
Considere:
f(x)=x4−3x2+5
Substituindo x por −x, cada termo tem expoente par, então nenhum sinal
muda:
f(−x)=(−x)4−3(−x)2+5=x4−3x2+5
Logo f(−x)=f(x): a função é par.
Sinais em frações
Quando −x aparece elevado a um expoente ímpar no denominador, o sinal
negativo pode ser movido para fora da fração. Considere:
f(x)=x3x2−3
Para calcular f(−x), substituímos todox por −x:
f(−x)=(−x)3(−x)2−3
Aplicando as regras das potências:
f(−x)=−x3x2−3
O sinal negativo do denominador pode ser colocado na frente da fração:
f(−x)=−x3x2−3
Como:
f(x)=x3x2−3
então:
f(−x)=−f(x)
Conclusão: a função é ímpar (o mesmo exercício resolvido acima).
Regra importante:
−ba=−ba
e também:
−ba=b−a
Por exemplo:
−x3x2−3=−x3x2−3=x3−x2+3
As três formas são equivalentes; a do meio é a mais direta para comparar com
−f(x).
Par, ímpar ou nenhuma das duas
Depois de calcular e simplificar f(−x), compare o resultado com f(x) e
com −f(x):
Resultado
Classificação
f(−x)=f(x)
Par
f(−x)=−f(x)
Ímpar
Nenhum dos dois
Nem par nem ímpar
Exemplo
Considere:
f(x)=x2+x
Calculando f(−x):
f(−x)=(−x)2+(−x)=x2−x
Comparando com f(x)=x2+x e com −f(x)=−x2−x: nenhum dos dois
é igual a f(−x)=x2−x. Logo fnão é par nem ímpar.
Operações com funções
Sejam f:Df→R e g:Dg→R duas funções reais.
Definimos a soma f+g, a diferença f−g, o produto f⋅g e o
quociente f/g da seguinte forma:
Considere, nos quatro exemplos abaixo, f(x)=x+2 e g(x)=x2−1,
ambas com domínio R.
Soma
(f+g)(x)=f(x)+g(x)
Substituindo:
(f+g)(x)=(x+2)+(x2−1)
Organizando:
(f+g)(x)=x2+x+1
Subtração
(f−g)(x)=f(x)−g(x)
Substituindo:
(f−g)(x)=(x+2)−(x2−1)
O sinal de menos deve ser distribuído em todo g(x):
(f−g)(x)=x+2−x2+1(f−g)(x)=−x2+x+3
Multiplicação
(f⋅g)(x)=f(x)⋅g(x)(f⋅g)(x)=(x+2)(x2−1)
Distribuindo:
(f⋅g)(x)=x3−x+2x2−2
Organizando:
(f⋅g)(x)=x3+2x2−x−2
Divisão
(gf)(x)=g(x)f(x)(gf)(x)=x2−1x+2
Domínio nas operações
Nas operações de soma, subtração e multiplicação, usamos os valores que
pertencem aos dois domínios:
D=Df∩Dg
O símbolo ∩ significa interseção, ou seja, os valores que os dois
domínios têm em comum. Por exemplo, se Df=R−{0} e
Dg=R, então Df∩Dg=R−{0}: o único
valor excluído é o que já era excluído em Df.
Domínio do quociente
No quociente existe uma regra adicional:
g(x)=0
Portanto:
Df/g={x∈Df∩Dg∣g(x)=0}
Considere f(x)=x1 e g(x)=x−2. Primeiro,
Df=R−{0} e Dg=R. Para o quociente:
g(x)f(x)=x−21/x
Precisamos excluir:
x=0, porque f não existe;
x=2, porque g(2)=0.
Assim:
D=R−{0,2}
Já no exemplo com f(x)=x+2 e g(x)=x2−1 (acima): como
x2−1=(x−1)(x+1), temos g(x)=0 para x=1 e x=−1, então:
Df/g=R−{−1,1}
Exercício
Sejam f(x)=1+x−2 e g(x)=x−3. Determine f(x)+g(x).
(f+g)(x)=x−2+x−2, com
Df+g={x∈R/x≥2}.
Exercício
Sejam f(x)=5−3x−4 e g(x)=2x+1. Determine f(x)−g(x).
(f−g)(x)=4−2x−3x−4, com
Df−g={x∈R/x≥4/3}.
Exercício
Sejam f(x)=x+41 e g(x)=x+2. Determine f(x)⋅g(x).
(f⋅g)(x)=x+4x+2, com
Df⋅g={x∈R/x=−4}.
Exercício
Sejam f(x)=x2−2 e g(x)=x−6. Determine f(x)/g(x).
(f/g)(x)=x−6x2−2, com
Df/g={x∈R/x=6}.
Exercício
Sejam f(x)=x2−25 e g(x)=x+5. Determine f(x)/g(x) e o seu
domínio.
(f/g)(x)=x+5x2−25=x+5(x−5)(x+5)=x−5,
com Df/g={x∈R/x=−5}.