Diz-se que p:R→R é uma função polinomial se existir um
inteiro n≥0 e existirem números reais a0,a1,a2,…,an
tais que, ∀x∈R, tem-se que:
p(x)=anxn+an−1xn−1+⋯+a1x+a0,com an=0
Dizemos que p tem grau n. Se p(α)=0, então dizemos que α é uma
raiz de p.
Exemplos
p(x)=x3−2x+1 (grau 3)
p(x)=x7−2x−9 (grau 7)
Raiz de um polinômio
p(α)=0⟺αeˊ raiz de p
Ou seja, para verificar se um número é raiz, basta calcular p nesse número
e conferir se o resultado é 0.
Exemplo
Considere:
p(x)=x2−5x+6
Testando x=2:
p(2)=22−5(2)+6=4−10+6=0
Como p(2)=0, 2 é raiz de p.
O valor testado pode ser qualquer real
Não há restrição de sinal: uma raiz pode ser positiva, negativa ou zero.
O algoritmo da divisão de Euclides
Dadas duas funções polinomiais p e d, com d não nula, existem únicas
funções polinomiais q e r tais que:
p(x)=q(x)⋅d(x)+r(x),∀x∈R
com p o dividendo, d o divisor, q o quociente e r o resto.
Exemplos:
x4−3x3−1=(x3+x−3)(x2−x+1)+(−3x+2)
x4−3x3+2x2−2=(x3−4x2+6x−6)(x+1)+4
Teorema do resto e teorema do fator
Quando dividimos p(x) por (x−a), o divisor tem grau 1, então o resto
r(x) tem grau 0, ou seja, é uma constante r.
Teorema do resto: r = p(a)
1 / 3
1
Ponto de partida
Pelo algoritmo de Euclides, p(x)=q(x)⋅(x−a)+r, com r
constante.
Exemplo
Considere:
p(x)=x3−2x+5
Para encontrar o resto da divisão de p(x) por (x−2), não é preciso
fazer a divisão completa: basta calcular p(2).
p(2)=23−2(2)+5=8−4+5=9
Logo o resto é 9.
Uma consequência imediata: como α é raiz de p quando p(α)=0,
o teorema do fator diz que
p(α)=0⟺(x−α) divide p(x) exatamente (resto 0)
É por isso que, para achar raízes de um polinômio, procuramos valores a para
os quais a divisão por (x−a) tem resto 0: cada um desses a é uma raiz.
Como dividir na prática: dispositivo de Briot-Ruffini
Quando o divisor é (x−a), não precisamos fazer a divisão longa completa:
o dispositivo de Briot-Ruffini calcula quociente e resto usando só os
coeficientes de p.